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terça-feira, 27 de setembro de 2011



Enquanto   os    homens exercem   seus  podres  poderes
motos e fuscas avançam  os  sinais  vermelhos
e  perdem  os verdes  somos  uns   boçais

Queria  querer  gritar setecentas   mil   vezes
como  são lindos, como  são lindos os burgueses
e os japoneses      mas tudo é muito mais

Será que nunca faremos senão confirmar
a  incompetência  da américa católica
que  sempre precisará de  ridículos  tiranos?
será,  será que ,   que será , que será, que   será
será  que  essa  minha    estúpida  retórica 
terá que soar,  terá que se ouvir   por mais mil anos?

Enquanto  os  homens exercem seus  podres poderes
índios, padres e bichas, negros e mulheres
e  adolescentes  fazem o carnaval

Queria querer  cantar afinado  com eles
silenciar em respeito ao seu  transe , num êxtase
ser indecente  mais tudo é muito mau

Ou então cada paisano e cada   capataz
com  sua burrice fará jorrar sangue demais
nos  pantanais, nas cidades , caatingas e nos gerais
será que apenas  os hermetismos pascoais
e   os tons e   os mil tons, seus sons e   seus dons geniais
nos salvam, nos  salvarão  dessas  trevas  e nada mais?

Enquanto  os homens exercem  seus  podres   poderes
morrer  e matar de fome, de raiva e de sede 
são tantas vezes gestos naturais

Eu quero aproximar o meu  cantar  vagabundo
daqueles  que velam pela alegria do mundo
indo  e   mais  fundo    tins   e bens e tais

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