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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

confiança


Maravilha da Confiança

4052010
Algumas vezes, em uma auto-avaliação, parecemos tolos. Ou no final, se houver um, descobrimos que fomos tolos por muito tempo. Contudo, muitas pessoas e situações merecem o benefício da dúvida. Inclusive eu, você, enfim: todos nós, em algum momento de nossas vidas, merecemos tal benefício.
Confiança: um nó no ar.
Confiança: um nó no ar.
Estou falando de confiança. Esse simples ato de crer no outro, de acreditar no que outra pessoa diz, de ter a certeza que ninguém mentiria para você. Uma teoria romântica, talvez, afinal, que mal faz uma pitada romancista em nossas vidas? Considero a maravilha do poder confiar e do querer confiar um dos meus combustíveis para viver e conviver. Mesmo com todos os sentidos amarrados, inativos, obstruídos, sem nenhum artifício para me avisar de que estou certo ou errado, confio, cegamente.
Imagine o nada. Pense em como seria dar um nó no ar. A maravilha da confiança localiza-se justamente nesse ato. Quando confio em alguém, dou um nó no ar. Deposito nesse nada toda a minha vontade de confiar, de acreditar. E enxergo nesse ato uma das maiores generosidades humanas. Doar-se ao incerto, edificar-se sem o apoio de base alguma, crer por pura crença.
Muitos se dizem céticos, e, ao analisarem atos de violência, roubos e assassinatos, afirmam não crer no ser humano. Não acreditar que o ser humano tenha “conserto”. Quando ouço, ou leio, tais afirmações guardo comigo minha indignação: Não podemos nos esquecer que nós somos seres humanos, e a grandiosidade do que se diz, a não confiança em si próprio, é um indício do declínio da sociedade.
Edificamos-nos em uma sociedade sólida, capitalista, mas que, de mãos dadas, e injustiças à parte, seguimos em frente e criamos coisas que nossos antepassados jamais imaginariam. E por trás de bases sólidas de concreto, interesses próprios ou comunitários, existe uma só base que mantém, e a única que consegue levar avante, essa sociedade: a confiança.
É claro que no auge de toda nossa ignorância, e das exigências que a sociedade nos impõe, criamos critérios para confiar. Não se confia no pobre, não se confia no presidiário, na garota de programa, na empregada, mas se confia no rico, no empresário, acima de todas as suspeitas está o artista, a pessoa pública. Colocamos-nos em um pedestal tão alto que, apontando os dedos, selecionamos aqueles em quem podemos, ou não, confiar, quando escolhemos confiar.
Seria covardia não confiar? Talvez não. Não culpo quem tem dúvidas quanto a confiar em alguém. Assistimos na televisão, na casa dos vizinhos, na praça, todos os dias, diversos motivos para que não confiemos. Dentro de casa, muitos filhos têm um só exemplo: no fim de uma relação de confiança, nos percebemos tolos, decepcionados. Ah, dessa dor já estou calejado. Mas prefiro me acostumar à dor a me privar da confiança.
Por quantas vezes depositamos toda nossa confiança, não que ela seja quantitativa, em uma pessoa, em uma relação, e temos como retorno a decepção, a traição. A sensação é a mesma de um soco no estômago. Tudo aquilo que você construiu como imagem de confiança, se desmorona. E ali está você, pronto para crer e confiar novamente.
A confiança é um sentimento. Um sentimento sólido, base para que se aflorem todos os nossos outros sentidos. Confiança em tatear algo, confiança em comer algo, em dar o próximo passo. E, sendo um sentimento, é algo tão íntimo e grandioso, que não podemos nos dar ao luxo de abandoná-la. De simplesmente não confiar.



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