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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CRUCIFIXO NEGRO
(para uma família de indigentes em Niterói)

Selaram a mentira com um beijo;
crucificaram o amor no medo.
E os sonhos?
Perderam-se no caminho.

O dia escureceu,
a noite perdeu a esperança.

As águas se esconderam na Guanabara.
Pelas ruas o sangue negro chora...
Vozes famintas cantam preces
na lembrança dos antepassados.

A Avenida Amaral Peixoto
bebe sua bebida amarga,
ardente...
Entorpece a dor que ri lasciva,
latente.

A indiferença enfeita a Avenida.

A vida lamenta, finge...
encena sombras esquecidas
na cruz negra erguida sob a escuridão do dia.

Janaína da Cunha
Setembro/2002

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