sexta-feira, 1 de julho de 2011

O motivo maior

Retrato de Carmen Lúcia
De tudo, és um pouco mais;
da vida, o concreto e o indefinido,
da inspiração és o próprio verso,
do infinito, o universo,
de todos os limites, a ponte
pra se alcançar o tarde e o longe.
Das manhãs de sol és luz
que a tudo ilumina e conduz;
da alma que chora és lágrima
que umidifica e abraça
abrindo clareiras, lavando onde passa,
suavizando íngremes jornadas.
És remédio pra dor, és calor,
a essência da pureza, nascente da beleza,
o motivo maior, o imprescindível,
a razão e emoção
unidas, em feliz comunhão,
a simetria , harmonia, poesia...
És o gládio pacificador...
És o Amor!
(Carmen Lúcia)
Hoje quero falar um pouco sobre melancolia, as vzs sou muito crítica comigo, sou pura melancolia e as vzs me assusto.
Olha, vc muitas pessoas são do temperamento melancólico! Geralmente
são músicos, poetas..gostam de pensar, e até ficarem sozinhos..

MELANCÓLICO
Qualidades – Habilidoso, minucioso, sensível, perfeccionista, esteta, idealista, leal, dedicado.

Defeitos – Egoísta, amuado, pessimista, teórico, confuso, anti-social, crítico, vingativo, inflexível.

O "temperamento negro ou sombrio" geralmente caracteriza o indivíduo melancólico.O Sr. Melancólico geralmente encontra seu maior significado na vida através do sacrifício pessoal. 
Parece ter vontade de sofrer, e buscará uma vocação difícil, que envolva grande sacrifício pessoal. Uma vez que a sua decisão tenha sido tomada, tende a ser muito meticuloso e persistente em alcançar seu objetivo, e provavelmente realizará um grande bem.
O Melancólico é o temperamento mais rico de todos. É um analítico, talentoso, tipo do perfeccionista, sacrificado, com uma natureza emocional muito sensível.

Francisco Martins1
Resumo
A Melancolia e Sublimação são relacionadas no presente trabalho de um ponto de vista
psicanalítico. Mostra‐se que o desencadeamento da melancolia é acompanhado do
desfazimento das sublimações prévias existentes. Esta tese freudiana é analisada a partir do
estudo de um paciente durante longo termo e especialmente durante o trabalho de luto do
objeto amado. Evidencia‐se que o adoecimento melancólico se faz como uma retrodesconstrução
(ruckgebildet) das sublimações realizadas. É acrescido à tese de Freud um novo
aspecto que diz respeito à perda do apoio de um objeto amado que durante a existência do
futuro melancólico serviu de ponto de ancoragem e de apoio nas principais sublimações
arrematadas. A ruptura da sublimação que se apóia no outro, em especial do ser amado,
precipita e aprofunda a melancolia e demanda uma explicação pragmática da relação amorosa
rompida pela morte do cônjuge: esta é a tese específica desenvolvida.
Palavras Chaves: Melancolia, Sublimação, Técnica terapêutica, Psicopatologia

A melancolia é a doença típica do mundo ocidental. Do mundo onde a
qualificação dos fatos ligados à terceiridade enquanto saber e obediência estrita da
norma são levados ao seu extremo. A melancolia é reconhecida desde a Antigüidade
(Corpus Hipocraticus) como a bílis negra. A síndrome típica é descrita pela presença de
uma tristeza irremediável, acompanhada de intensa dor moral. Essa tristeza é
acompanhada de modificações nas sensações, no sentir fundamental, apoiando‐se
neste principalmente através de sensações cenestésicas de parada de movimento. É
uma tristeza vital onde o caráter de falta de fluência no tempo e no espaço faz sua
marca característica. Em todas as descrições clássicas encontramos a presença da
inibição da atividade geral do organismo. Esta inibição se vê relacionada a alterações
dos diversos ritmos biológicos essenciais ‐ como sono‐vigília, a oscilação diária da
temperatura, a oscilação hormonal, o ritmo circadiano, o ciclo atividade‐repouso, o
Para vencer a melancoliaritmo apetite‐saciedade.      
            A melancolia se apresenta como uma vaga tristeza que se apodera do coração, quase de maneira imperceptível, levando a pessoa a considerar amarga a existência. Se não combatida no íntimo do Ser, pode desencadear estados de angústia profunda e depressão.

            François de Gèneve, no capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, alerta-nos que esse estado representa o esforço do Espírito que aspira a liberdade e tenta em vão sair da prisão do corpo físico. Como as lembranças da vida espírita não podem ser vividas naquele instante, o indivíduo, inconscientemente, prostra-se em desânimo, apatia e infelicidade.

            Este abatimento não se revela pelas impressões do Espírito, mas através de pequenos contratempos do cotidiano, coisas simples e corriqueiras que assumem cores mais escuras que a realidade. Ouvir uma reprimenda, tirar notas baixas na escola, desentender-se com um familiar... Qualquer motivo serve para desencadear um estado mais profundo de melancolia.

            Uma das maneiras de enfrentar a melancolia é identificar o agente causador e, o mais rápido possível, atacar a raiz do problema, solucionando-o.

            “Em uma escola havia um professor muito estimado pela espontaneidade e alegria que dele emanava. Todos o procuravam quando passavam por dificuldades. Quando ele via alguém com um semblante tristonho a caminho de sua sala, ele pegava um papel e uma caneta e perguntava: “- Qual é o problema?” A medida que a pessoa ia falando ele ia anotando todas as queixas: notas baixas, briga com a melhor amiga, derrota no esporte, um resfriado... Em grande parte, as situações eram coisas simples e de fácil solução, se buscada com seriedade. Normalmente, as pessoas que iam conversar com ele, ao olhar as muletas que ficavam escoradas na sua escrivaninha e que denunciavam a paralisia do jovem mestre, sentiam-se envergonhadas por entristecer-se por tão pouco.”

            A melancolia pode ser estimulada por uma mágoa, um pneu furado, uma dificuldade amorosa, um dia vazio, um bolso vazio, um estômago vazio, um coração vazio...

            Mentalmente, pode-se puxar um papel e escrever exatamente o que provoca este estado de infelicidade e trabalhar para eliminá-lo. Algumas coisas são imodificáveis, outras não, identificá-las é que diferencia o homem sereno do homem melancólico.

            Aos primeiros sinais de melancolia pode-se utilizar antídotos: sair da rotina e fazer algo diferente, que desejava há muito tempo, mas nunca tivera oportunidade de fazer; dedicar-se a dar alegria a alguém, sem exigir absolutamente nada em troca; adquirir novos conhecimentos, leituras, amizades; buscar na memória momentos da vida em que sentiu extrema felicidade e valorizar a vida.

            A melancolia está diretamente ligada ao estado de espírito da solidão e do ócio. Então, não seja solitário, não seja ocioso. Se for ocioso, não seja solitário; se for solitário não seja ocioso.

            Ao reencarnar na Terra, recebemos de Deus uma missão que não podemos desertar e da qual muitas vezes nem suspeitamos, quer seja junto à família, quer cumprindo outras obrigações. A nossa felicidade, presente e futura, depende do cumprimento dessa missão com alegria até o fim.
Luis Roberto Scholl 
                                                           

Clarice Lispector


Já entrei contigo em comunicação tão forte que deixei de existir sendo.Tu tornas-te um eu. É tão difícil falar e dizer coisas que nunca podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real, entre nós dois?Dificílimo contar: olhei pra você por uns instantes, tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita... Eu chamo isso de estado agudo de felicidade.
Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? Assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.
Ela se chama Maria.....
Ela tem nome de mulher guerreira
E se veste de um jeito que só ela
Ela vive entre o aqui e o alheio
As meninas não gostam muito dela
Ela tem um tribal no tornozelo
E na nuca adormece uma serpente
O que faz ela ser quase um segredo
É ser ela assim tão transparente
Ela é livre e ser livre a faz brilhar
Ela é filha da terra, céu e mar (...)

Cora Coralina

Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar..
Meus pesamentos são enigmas que nem eu mesma sei decifrar, umas vontades esquisitas, um não saber amar....muitas vezes pensamentos tão estranhos , que são impossíveis de ousar acreditar...
Um amor tão distante de ser real, não da para confiar, mais tbm não sei controlar...
Vida cheias de impossibilidades , sentimentos embaralhados, dores escondidas na minha incapacidade de sanar minha loucura e passar a viver a realidade, a verdade que a vida tem pra mim dar.AC